September 07, 2010, 11:51:53 PM
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Author Topic: O que é moe?, ou "Como as lolis conquistaram o Japão"  (Read 6779 times)
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« on: January 28, 2007, 08:10:00 PM »

O que é que sentem quando vêm isto?



Se sentem um calor no coração, uma vontade de abraçar, de proteger, um sorriso de ternura no canto do lábio, ou talvez algo mais – então fazem parte do público alvo da mais avassaladora onda que tem assolado o panorama do anime e manga no Japão: moe.

“Moe” é a raiz do verbo “moeru” (萌える), que significa desabrochar. De forma geral, e no calão japonês, é o nome dado a uma atracção intensa e instintiva por um determinado personagem de anime, manga ou vídeojogos. Algum tempo depois do princípio da sua utilização, o termo foi generalizado de forma a ser quase sinónimo de “hobby”, podendo ser utilizado para descrever uma dedicação intensa a qualquer objecto ou actividade.

No contexto dos apreciadores de anime e manga, a palavra moe foi apropriada para designar a estética que torna uma determinada ilustração ou personagem alvo desse tipo de afecção por parte desses observadores, tendo sido essa estética apurada por diversos artistas de forma a, em muitas situações, manipular os observadores no sentido dessa reacção.

A estética moe é definida pelas seguintes características predominantes: Personagens femininas muito jovens, com aspecto pré-adolescente e adorável, olhos desproporcionadamente grandes e nariz minúsculo, e que normalmente têm qualquer tipo de limitação, a qual se esforçam muito para superar. As personagens expressamente criadas para se ennquadrarem neste estereótipo são designadas de moekko.

As situações moe são normalmente quotidianas, quer sejam, por exemplo, compras, um passeio ou encontro romântico, ou qualquer género de ocasião em que a limitação da personagem seja evidente. Em qualquer caso, envolve quase sempre uma forma de vulnerabilidade por parte da personagem ilustrada.

A reacção do observador a uma ilustração moe é difícil de definir, mas parece ser mais instintiva do que deliberada. Pode-se entender como uma forma de fascínio primitivo, uma comoção que desemboca numa forma de proteccionismo, paternalismo ou nostalgia, num desejo de preservar o momento em causa e apoiar e proteger a personagem retratada, e que pode suscitar no observador uma forma de obsessão pelos elementos moe da ilustração.

As origens do moe não estão adequadamente documentadas. Desde há muito que o tipo de personagens femininas que podem ser entendidas como moe existem no anime e manga, mas a existência do moe como um fim em si e como um conceito estético é bastante recente, e talvez se possa associar ao sucesso de Card Captor Sakura, que pode ser vista como a obra em que foram estabelecidas muitas das convenções que hoje regem esta sub-cultura.

A origem da gama de sentimentos suscitados pela estética moe não é, originalmente, sexual, mas pode levar a uma fixação fetichista sexualizada em pessoas sexualmente reprimidas. Este tipo de tendência é aproveitada por certos ilustradores, que deliberadamente esbatem, no seu trabalho, a linha incerta que separa o moe do lolicon e as suas conotações pedófilas. A intenção sexualizante de uma ilustração moe pode ser disfarçada, mas só não é visível para os totalmente ignorantes e para quem não a quiser ver.

Um artigo no site Heisei Democracy (http://heiseidemocracy.com/2005/12/07/the-moe-image/) ajuda-nos a analisar mais detalhadamente as componentes da estética moe em termos desta sexualização da intenção do artista, mas também em termos do envolvimento do observador (ou o seu personagem substituto no contexto da narrativa). Os sentimentos suscitados no observador podem ser manipulados por variações nestes dois factores, variando desde um inocente (mas possessivo e redutor) desejo de protecção, passando pela fina linha que separa contemplação de voyeurismo, até à provocação sexual pura (denominada no artigo citado como erokawaii), não obstante o facto de serem praticamente imperativos do moe a não inclusão de elementos sexuais explícitos e a manutenção de uma componente de ingenuidade na personagem retratada.

Na verdade, este acaba por ser um dos factores determinantes inerentes à estética moe: a moekko não deve, nunca, estar consciente do efeito que causa no seu observador. A inocência e a ingenuidade são características essenciais da moekko, transmitidas quer no aspecto, quer nos seus actos, e muitos bons artistas são incapazes de reproduzir o efeito moe exactamente por não serem capazes de recriar com exactidão estes traços nas suas personagens: frequentemente vemos pretendentes a moekko a serem provocantes, o que acaba por afastar o observador do efeito pretendido. Não significa isto que uma moekko não possa ser retratada como marota ou travessa, mas a sua conduta não pode ser directamente associada ao sentimento suscitado no observador.

Existem já no Japão publicações inteiras a lucrarem com a popularidade da estética moe, e sobretudo do seu efeito sexualizante sobre certas pessoas. Esta associação torna-se cada vez mais óbvia, à medida que se torna mais evidente que há muito dinheiro a ganhar com o merchandise inspirado na estética moe, tendo como público alvo a extensa população otaku do Japão, particularmente susceptível a ser cativada pela moekko do momento. Isto tem provocado um aumento exponencial da componente moe (e em particular das suas vertentes mais sexualizantes) na oferta de anime e manga no Japão, mesmo onde tal não seria tradicionalmente de esperar. Pode ser motivo para dizer que as lolis estão em vias de conquistar o Japão – ou pelo menos, a parte dele que vive com os olhos na indústra do anime e manga.

Na sua origem e essência, o moe, apesar do seu apelo artificial a instintos cuja origem deveria ser natural, não é algo de perverso. Porém, tem sido provado que é uma estética facilmente manipulável no sentido da pedofilia, tornando-a num tema polémico mesmo no seio da comunidade de fãs, e sendo essa possibilidade de distorção uma das vergonhas secretas (mas mal ocultas) da fandom. No fim de contas, algo que deveria ser simples, torna-se complexo, e cabe a cada um de nós reflectir onde nos posicionamos em toda esta questão.
« Last Edit: January 28, 2007, 11:31:47 PM by Myke Greywolf » Logged
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« Reply #1 on: January 28, 2007, 08:45:09 PM »

Suponho que as ultra-genki, as tsundere, as Silent-Type e as tomboys/agressivas/dominantes não se considerem modelos moe?
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« Reply #2 on: January 28, 2007, 09:06:20 PM »

Só por si, esses estereótipos não constituem uma moekko, mas podem ser utilizados na modelação de uma. Em última instância, tudo depende da forma como essas personagens são utilizadas e representadas.
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« Reply #3 on: January 28, 2007, 09:39:54 PM »

Acho que é daquelas coisas que se reconhece quando se vê, apesar da definição não ser muito linear - claro que a partir do momento que tem um nome e sucesso considerável, quem está no ramo tentará analisar e replicar o estilo, e eventualmente tentar criar variantes que se distingam da já mui vasta concorrência...

Acho que identifiquei algo do género perante uma personagem como a Nakoruru lá pra 93 ou 94, ainda nem o conceito tinha nome - design simples, uma ligeira qualidade enternecedora, ao que contribuia o respectivo cenário e música (e talvez o facto de practicamente todos os outros personagens do jogo usarem armas quase do tamanho da perna dela) - acho que o factor "indefesa" não se aplica tanto, mas tendo em conta o contexto em que se insere, talvez seja um valor relativo...
Pra quem quiser ter uma noção mais completa do aspecto da dita cuja.


Tenho a ligeira inclinação para achar que alguns character designs funcionam por uma pessoa sentir ou identificação com algum aspecto deles, ou em casos diferentes, por serem inspiradores ou um ideal que uma pessoa gostaria de ver aplicada a ela própria - tendo a desconfiar que no caso do "moe" o 1º caso se aplica mais, apesar dos sexos trocados, mas é uma vaga noção que alguém com noções mais completas sobre a psicologia e o contexto social do "otaku" adepto do estilo em questão poderia exprimir melhor...


De resto, espero que como tantas outras modas, this too shall pass, ou pelo menos que se dilua um bocado... tudo o que é demais...
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« Reply #4 on: January 28, 2007, 10:07:31 PM »


Tenho a ligeira inclinação para achar que alguns character designs funcionam por uma pessoa sentir ou identificação com algum aspecto deles, ou em casos diferentes, por serem inspiradores ou um ideal que uma pessoa gostaria de ver aplicada a ela própria - tendo a desconfiar que no caso do "moe" o 1º caso se aplica mais, apesar dos sexos trocados, mas é uma vaga noção que alguém com noções mais completas sobre a psicologia e o contexto social do "otaku" adepto do estilo em questão poderia exprimir melhor...

Por acaso acho que me enquadro entre aqueles que gostam de determinados character designs quando os acham inspiradores, e penso de forma semelhante sobre a maneira como estes funcionam. Já no caso do moe, o que me atrai em personagens que possam ser classificados como tal é mesmo o sentimento de protecção que estas possam suscitar em mim.
Foi o que ocorreu quando vi Sakura Card Captor ou Binchou-tan, a primeira por ser uma criança doce e órfã de mãe, a segunda por ter aquele aspecto frágil e no entanto estar por conta própria no mundo (ou se calhar tenho meu lado maternal super-desenvolvido =P).



De resto, espero que como tantas outras modas, this too shall pass, ou pelo menos que se dilua um bocado... tudo o que é demais...

Lol! Verdade, para mim é mais ou menos como os panty shots, que eram muito engraçados no começo, mas em excesso enjoam, como tudo o que é demais.

Suponho que as ultra-genki, as tsundere, as Silent-Type e as tomboys/agressivas/dominantes não se considerem modelos moe?

Antes era-me super difícil imaginar uma personagem tsundere enquadrar-se como moe, até ter uma longa conversa com o Myke sobre o assunto. Mas é uma pergunta interessante, fez-me ponderar melhor sobre o assunto.
« Last Edit: January 28, 2007, 11:25:16 PM by Jackie » Logged

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« Reply #5 on: January 28, 2007, 11:42:08 PM »

Acho que identifiquei algo do género perante uma personagem como a Nakoruru lá pra 93 ou 94, ainda nem o conceito tinha nome - design simples, uma ligeira qualidade enternecedora, ao que contribuia o respectivo cenário e música (e talvez o facto de practicamente todos os outros personagens do jogo usarem armas quase do tamanho da perna dela) - acho que o factor "indefesa" não se aplica tanto, mas tendo em conta o contexto em que se insere, talvez seja um valor relativo...
Pra quem quiser ter uma noção mais completa do aspecto da dita cuja.

De facto, acho que se pode dizer que a Nakoruru é uma precursora da estética moe, mas apenas na mesma medida em que outras personagens dessa época e de épocas anteriores (como as magical girls dos anos 80) o são. Em qualquer caso, é verdade que a Nakoruru é particularmente "moeável", mas penso que apesar de ter sido criada como personagem "kawaii", não o foi com o mesmo objectivo que outras moekko mais recentes. Aposto até que, se a Nakoruru tivesse sido criada alguns anos depois e dentro de um contexto moe, teria um aspecto muito diferente e mais "sacarina".

Aliás, isso existe, e chama-se Rimururu. Tongue
« Last Edit: January 28, 2007, 11:44:11 PM by Myke Greywolf » Logged
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« Reply #6 on: January 29, 2007, 12:02:40 AM »

I beg to differ, acho que nem a Rimoruru se compara com esta ilustração da Nako que já a sucede em alguns anitos
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« Reply #7 on: January 29, 2007, 01:09:03 PM »

Achei interessante o post da Jackie, não sabia que o publico feminino também apreciava moe.

Ah, mas é verdade! E não só: A personagem moekko também pode ser do sexo masculino, em cujo caso é bastante mais fácil apelar a fãs do sexo feminino. É só ver a paródia conseguida em Ouran Koukou Host Club, que o Honey finge permanentemente ser moekko, para delírio das suas admiradoras. A sua parceria com o Mori reproduz e parodia a dinâmica dos casais yaoi (particularmente shota), que também é frequente encontrar em obras moe (embora sem a componente sexual, como é óbvio). Um exemplo disto são certas ilustrações da Chiyo-chan com a Sakaki de Azumanga Daioh:



Hmm, muito interessante, nunca pensei nisso. Em relação a moekkos travessas de facto existem várias, lembro-me agora da Dokuro-chan.

Acho que Dokuro-chan não é moe, mas sim uma sátira a moe que, ao mesmo tempo, aproveita a ocasião para inundar o espectador de fan-service.

Não sei se é assim tão importante que a moekko não esteja consciente do seu efeito no utilizador... talvez seja mais o não-aproveitar-se desse efeito? Porque se o fizessem a sua atitude soaria a falsa, interesseira, insincera; e isso destruira a sua aura de inocência. Hmm, talvez seja por isso.

E exactamente por isso é que a Dokuro-chan não é moekko... é mais... uma moe poser. Como o Honey, mas bem mais maliciosa.

Também nunca pensei nisto... lol.
Penso que isto é um pouco exagerado... as moekkos não são crianças, pelo menos não a maioria delas, e actualmente a maioria das ero-doujins que se fazem são com moekkos. De anime harem e erogames/dating-sims por exemplo. Como qualquer fetiche por personagens femininas, o fetiche moe também desabrocha com um lado sexual. E não nos esquçamos que os Japoneses gostam muito mais de mulheres submissas/passivas/inocentes que os ocidentais, e sempre gostaram.

As moekko, como regra geral, têm um aspecto pré-adolescente - mesmo que isso não corresponda à idade real delas. Não é pouco frequente vermos em anime personagens com aspecto mais jovem do que seria de esperar para a sua idade, mas convém não confundirmos moe com kawaii. Moe é kawaii, mas nem tudo o que é kawaii é moe. Moe pode também ser conseguido com personagens mais velhas (é só ver a famosa cena "moe?" da Hermes em Densha Otoko), mas nesse caso, pode-se presumir que a personagem não é moekko de origem, tornando-se moekko por força das circunstâncias.

Chiyo-chan de Azumanga Daioh e Hagu de Honey & Clover são definitivamente moekko's que têm um lugar especial no meu imaginário, e que felizmente, não foram (publicamente) alvo de sexualização por parte dos seus autores (nem quero pensar no que os doujinshika's terão feito com elas).

Bem, em termos de situações sexuais, existem várias que são usadas com moekkos (assim com todo o tipo de personagens, a hentai é variadissima); mas as mais comuns acho que são o tipo de situação  de corrupção da inocência da rapariga: um fetiche masculino em sexualizar aquilo que é puro, inocente, perfeito, o velho fetiche de comer o fruto proibido.

Para além deste, (como o Myke referiu) também há muito o simples voyeurismo em ver a moekko a 'auto-sexualizar-se'; e em situações sexualizantes a várias niveis (roupas de varios tipos, bondage, situação de fragilidade, por exemplo no banho, etc). Esta 2ª vertente, a voyeuristica, penso que é aquela que continua muito associada ainda à original natureza 'moe' da rapariga: são situações sexuais sim, mas que a moekko faz/entra ainda com a sua falta de experiencia, sem saber bem o que está a fazer, mantendo a sua inocência sexual; ou seja, é sexual mas de forma.. 'querida' digamos. LOL

OK, aqui já estamos a ir para o campo da perversão do intuito original do moe, se bem que toda esta área acabe por ser bastante cinzenta... tudo isto acaba por servir como prova da facilidade com que o moe pode ser manipulado para servir propósitos mais obscuros. É só ver o conteúdo das edições da Dengeki Moeoh.

Enfim, por ser tão complicado e por mexer com sentimentos tão ambíguos, é que é um tema interessante, não é?
« Last Edit: January 29, 2007, 02:30:03 PM by Myke Greywolf » Logged
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« Reply #8 on: January 29, 2007, 03:07:09 PM »

O que é que sentem quando vêm isto?

Se sentem um calor no coração, uma vontade de abraçar, de proteger, um sorriso de ternura no canto do lábio, ou talvez algo mais – então fazem parte do público alvo da mais avassaladora onda que tem assolado o panorama do anime e manga no Japão: moe.


Eu honestamente sinto sono, confesso. O Moe é o supra-sumo de uma idealização do síndrome kawaii que assombra o Japão (o país do Pink Nipple Cream) em que o ar inocente, terno, dócil bleh bleh bleh é alvo de admiração.

O que eu acho fascinante é como uma personagem tipo incluída em vários géneros de anime se tornou um género em si.

Mas não me seduz minimamente.

A subcultura Moe é também parodiada no Dorama "Maid in Akihabara" que recomendo vivamente.
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« Reply #9 on: January 29, 2007, 05:27:58 PM »

Acho curioso dizeres ao mesmo tempo que moe não equivale a lolicon (o que eu concordo), e depois associares moe a séries harem que podem ser ecchi e a gal games, coisas que podem definitivamente ser associadas a lolicon (e que normalmente puxam para esse lado).

O Loona apresentou uma imagem que acredito ser não oficial, mas que por acaso, até traz um novo elemento à mesa: uma personagem que originalmente não é uma moekko pura (apesar de poder ser kawaii) pode ser apropriada e redesenhada como moekko por artistas-fãs que a queiram ver como tal. Eu penso que isso não transforma as personagens originais em moekko's, e daí eu fazer esta distinção, e afirmar que personagem X e Y não é moekko, apesar de poder ter fama de tal, ou ser usada em situações moe. Com algum esforço, até é possível apresentar a Motoko Kusanagi (GitS) numa situação moe, e isso não a transforma numa moekko.

Indo ao caso de Love Hina, acho que a sua natureza ecchi, nunca ocultada, exclui logo a possibilidade de se tornar uma obra moe, apesar das suas personagens poderem ser utilizadas em situações moe, particularmente quando expõem fugazmente as suas fraquezas. Acho que a mistura de ambas as situações (ecchi+kawaii e moe) distorce o conceito de moe para as pessoas que são expostas a este género de obras, e acho que é possível que isso esteja a acontecer contigo. De resto, o próprio Ken Akamatsu faz uma definição de moe que é afastada da essência das suas obras (excepto, como já disse, em situações pontuais).

Mas quem sou eu, também, para ditar o que é moe ou não? Afinal de contas, é o povo que faz a língua, não é? Wink
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« Reply #10 on: January 29, 2007, 07:03:15 PM »

Talvez seja então um pouco impreciso dizer que a moekko não pode estar consciente do efeito (sexual ou não) que causa no seu observador... mais precisamente, pode dizer-se que esse efeito, ao existir, não deve ser intencional por parte da moekko.
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« Reply #11 on: January 29, 2007, 07:56:56 PM »

@Kiseki: Maid in Akihabara rules! lol A série é incrivelmente caricata e ridicula, é mesmo de ver com um olho esbugalhado e outro fechado Tongue
Como sei que és fã de shoujo, fico um pouco surpreendido por não gostares de kawaii.... as raparigas shoujo costumam ser feitas de forma muito inocente, infantil, despassarado e kawaii. Não gostas disso..?

O shoujo não é por norma kawaii, estás a referir-te a heroínas de mahou-shoujo com Card Captor, Kaitou Saint Tail, as Mew Mew and so on and so forth.

Eu gosto do shoujo angsty, pesado e muito centrado em character development como Nana.

Há excepções como Sailormoon, mas o que me seduz em Sailormoon é a temática da heroína que recusa o fardo da responsabilidade que lhe é imposto até à última.

Card Captor também gosto, mas porque acho a ideia gira e é CLAMP e eu sou um CLAMP fanboy.

Mas por exemplo gosto muito mais de RG Veda, Tokyo Babylon e afins...]
« Last Edit: January 29, 2007, 09:07:17 PM by Jackie » Logged

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« Reply #12 on: January 29, 2007, 10:30:57 PM »

O Loona apresentou uma imagem que acredito ser não oficial, mas que por acaso, até traz um novo elemento à mesa: uma personagem que originalmente não é uma moekko pura (apesar de poder ser kawaii) pode ser apropriada e redesenhada como moekko por artistas-fãs que a queiram ver como tal. Eu penso que isso não transforma as personagens originais em moekko's, e daí eu fazer esta distinção, e afirmar que personagem X e Y não é moekko, apesar de poder ter fama de tal, ou ser usada em situações moe. Com algum esforço, até é possível apresentar a Motoko Kusanagi (GitS) numa situação moe, e isso não a transforma numa moekko.

A ilustração é oficial, refere é o jogo mais obscuro de toda a série Samurai Shodown/Spirits, o Warrior's Rage, que só foi lançado prá PS1 e ocorre prai uma geração depois dos anteriores - sendo a Nakoruru das personagens mais populares da saga, mas ao mesmo tempo segundo a história tendo ela sacrificado a própria vida logo no 2º jogo, cronológicamente todos os jogos se passam antes desse, e no Warrior's Rage ela reaparece não como personagem jogável, mas como uma espécie de espírito da floresta (talvez do mesmo género do Kororo de Shaman King, já que são ambos de Hokkaido e associados ao povo Ainu), o que permitiu o redesign em questão - já agora, arranjei um URL melhor, mais fiável e que confirma a oficialidade do dito:
http://www.samuraispirits-official.com/download/wp/soukou6_800.jpg


Sobre um comentário do Maje, embora o fetishe das maids possa por vezes envolver moe, um não implica o outro, já que uma maid pode ter atributos físicos bem mais maduros/adultos - o factor crítico nas maids tem mais a ver com a submissão e os uniformes, tanto quanto me apercebo...
« Last Edit: January 29, 2007, 10:42:10 PM by Loona » Logged

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« Reply #13 on: January 30, 2007, 11:07:40 AM »

Sobre um comentário do Maje, embora o fetishe das maids possa por vezes envolver moe, um não implica o outro, já que uma maid pode ter atributos físicos bem mais maduros/adultos - o factor crítico nas maids tem mais a ver com a submissão e os uniformes, tanto quanto me apercebo...

Maids não são necessariamente Moe, um bom exemplo é "Victorian Romance Emma" que tem tudo menos moe. (excelente manga, a ver se compro)
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« Reply #14 on: January 30, 2007, 11:21:24 AM »

Sobre um comentário do Maje, embora o fetishe das maids possa por vezes envolver moe, um não implica o outro, já que uma maid pode ter atributos físicos bem mais maduros/adultos - o factor crítico nas maids tem mais a ver com a submissão e os uniformes, tanto quanto me apercebo...

Exacto. Isso vai de encontro ao que tentei expôr no post inicial: o efeito moe é muitas vezes conseguido expondo as limitações da personagem. Ora, o dever de obediência e o uniforme das maids contam como limitações, na medida em que são obrigações às quais a personagem tem de se sujeitar. O efeito no observador é ambíguo, pois a situação pode ser equiparada a "bondage light". Tongue
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« Reply #15 on: March 19, 2007, 07:11:41 PM »

Só para dizer que recentemente saíu na Newsweek Japan uma artigo sobre Moe, a mais recente exportação do país. :X

http://www.animenewsnetwork.com/news/2007-03-16/moe-culture-featured-in-newsweek-japan
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« Reply #16 on: May 28, 2007, 01:54:00 PM »

Para quem ainda estiver interessado nesta intrigante tendência da cultura popular japonesa, a revista Anime Land #131, saída neste mês, traz um dossier dedicado ao assunto com um conjunto de artigos muito esclarecedores.
« Last Edit: May 28, 2007, 02:23:02 PM by Myke Greywolf » Logged
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« Reply #17 on: October 09, 2007, 01:24:50 PM »

Deixem-me chamar-vos a atenção para um post da minha autoria no blog Rumble Pack, no qual eu denuncio (embora humoristicamente) a associação do moe ao lolicon e o lento espalhar desta associação ao mainstream.

Agradece-se feedback, aqui e lá. Smiley
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« Reply #18 on: October 09, 2007, 02:13:48 PM »

Fogo! O nível nos coments ao seu post no Rumble Pack está a baixar... ainda mais do que ontem.Tongue
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« Reply #19 on: October 09, 2007, 04:33:16 PM »

Eu acho que todos os posts incendiários têm esta reacção.

Mas nunca pensei que os ânimos se levantassem por tão pouco.
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